4 de junho de 2011


Todos somos bons e maus talvez em proporções iguais.


O que nos torna tão diferentes aos olhos do mundo é a forma como mostramos ou escondemos alguns fatos. Eu, por exemplo, tenho vergonha de alguns detalhes sórdidos da minha personalidade.


Tenho vergonha de dizer que não quero ter filhos porque não quero dividir meu tempo ou meu dinheiro com alguém que um dia vai embora. Tenho vergonha de dizer que sou capaz de infernizar alguém caso o meu dia esteja um saco. Tenho vergonha de dizer que tenho inveja das pessoas que montam seu próprio horário e podem fazer a unha no meio da tarde.


A verdade é que ninguém me conhece melhor do que eu. Ninguém conhece melhor meus próprios demônios e minha total incompetência em segurar meus impulsos de raiva. Mas ninguém sabe também com que grandeza absoluta eu sou capaz de amar uma pessoa, um animal, uma vida qualquer, independente da sua forma.


Eu sou difícil, irritante e muitas vezes insuportável. Mas não é essa a minha essência, garanto. E se você não acredita, desculpe, mas o problema é seu.


Eu estou aqui pra dizer a verdade, não pra me vender como faço nas 8 horas diárias em que visto a carapuça de publicitária.


A minha capacidade de te amar é diretamente proporcional à sua capacidade de me respeitar e aceitar os meus defeitos. Afinal, acredite, os seus também não são nada fáceis.

3 de maio de 2011

Se existe um pequeno ônus nessa coisa toda de adorar cinema é que fico de alguma forma esperando que meu armário seja uma passagem pra outro mundo, que as pessoas saiam dançando no meio da rua daquele jeito todo ensaiadinho e que todas as putas um dia encontrem seu príncipe encantado.

Sinto um ridículo prazer em dizer que não tenho MSN. É como se afirmasse com todas as letras que eu sou uma pessoa superocupada e que não tenho a necessidade compulsiva de estar disponível 8 horas por dia.

8 de abril de 2011


Tisunamis não são 'privilégio' do Japão. Um dos grandes passou por mim faz bem pouco tempo. Chegou misturando tudo e levando pra longe a tranquilidade que antes fazia da minha vida quase uma Fukushima. E quando ele se foi a ameaça nuclear permaneceu como a certeza da morte de dentro pra fora. Um câncer que chega devagarinho mostrando que tragédias assim, no fundo no fundo, nunca passam.

#dramatica

19 de março de 2011

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Falando em códigos
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Descobri que pra algumas pessoas a minha vida é mais divertida que TV a cabo.

10 de fevereiro de 2011

Ela levantou no meio da noite, se aproximou do parapeito e se lançou na escuridão sentindo o vento gelado doer em seu rosto enquanto esperava o momento do impacto.

26 de janeiro de 2011

Ontem reparei. Faz tempo que não vejo uma pessoa de braço quebrado por aí. Deve ser porque o homem criou formas tão mirabolantes de provocar acidentes fatais que nem sobra chance de conserto.

20 de dezembro de 2010

As
Assim como fiz em 2009, também transformei 2010 em verbos.

Esse ano...

Eu fui
demitida.
Eu chorei.
Eu fiquei sem eira nem beira.
E me virei e arrumei um emprego melhor.
Eu viajei duas vezes.
Eu montei meu atelier.
Eu contratei uma costureira.
Eu perdi a costureira.
Eu recebi a ligação de que ela queria voltar.
Eu participei de dois Caixa de criadores.
Eu vendi, fiz amigos e ganhei clientes.
Eu comecei a pagar um imóvel com meu namorado.
Eu vivi momentos incríveis com os amigos que fiz na Double.
Eu reciclei e fiz muita gente ganhar dinheiro com isso.
Eu entrei pra academia.
Eu comecei a achar que casamentos podem ser felizes.
Eu senti ciúmes como não sentia faz tempo.
Eu senti medo.
Eu ganhei dois prêmios inesperados como redatora.
Eu vi
os chefes que me demitiram na plateia.
Eu me senti maravilhosa.
Eu entrei na Bora lá.
Eu driblei o tempo.
Eu cantei alto.
Eu agradeci.

9 de dezembro de 2010


Gosto de imaginar que o espaço de 1 ano mudará tudo que eu sinto agora. Essa imensa vontade de mandar tomar no cu e depois correr.

16 de agosto de 2010


- Olha, cê consertou as infiltrações na parede...

- Gostou, querida?

- Na verdade eu gostava taaanto daquela manchinha em forma de ursinho...

- Pô, eu gastei uma fortuna em tinta, massa e selante e você tem a coragem de falar que aquele mofo que parecia um urso imbecil tava melhor????!!!!!

- Eu sempre soube que você odiava animais.

14 de agosto de 2010


- E se a gente um dia terminar, querido?

- A gente não vai.

- A gente podia, só pra dar uma agitada.
Terminava por alguns minutos pra ver como é e depois voltava.

Ela se vira de costas pra ele na cama, fecha os olhos e fica quieta.

- Que isso?

- Terminei com você.

Silêncio no quarto.

- Amor, já tá com saudade?

10 de julho de 2010


Chega um dia em que a gente resolve parar de adiar, de dizer que ainda não é a hora certa. Então decide de supetão “vou casar”, “vou ter um filho”, vou mudar dessa porra de emprego”, "vou me separar", “vou mudar de cidade”, “vou sair de casa”. Cada um tem a sua urgência. A minha era começar a preencher aquele vazio profissional terrível que corroía como uma gastrite a alma.

Felizmente eu já sabia o que queria fazer. Só não sabia como fazer. É que tudo custa dinheiro e requer um tempo que eu não tinha. A menos que reduzisse drasticamente as horas de lazer e descanso.
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Bom, aceitei o desafio. E desde então vivo a exaustiva e deliciosa tarefa de tirar do papel (literalmente) as roupinhas da Sugar Sugar. Uma marca ainda pequena, mas muito bem intencionada que eu criei com a ideia de romantizar ou, como o nome sugere, adoçar o visual das moçoilas com tendência cute e retrô.

A marca estreou no Caixa de criadores, um evento que aposta no crescimento das novas marcas de Belém, e agora eu já me preparo para uma coleção mais ousada, mais profissional e ainda mais bonita. Por que a ideia é essa, não?
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Quer conhecer as roupinhas? As últimas peças da coleção "Primeiro encontro" (que felizmente foi um sucesso) estão em liquidação bem aqui: http://www.flickr.com/photos/modasugarsugar. O blog está temporariamente fora do ar para atualização. O twitter da marca é @malusugarsugar. Beijos!

16 de junho de 2010


Acaba de se divorciar a charmosa e elegante Ana Maria Gouveia. Ela se livra de um verdadeiro traste e prepara-se para uma grande fase de orgias e namoradinhos de barriga tanquinho. A festa de comemoração será hoje no apê que ficou com Ana Maria na divisão dos bens. O evento reunirá a nata podre da putaria paraense.
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13 de junho de 2010

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Colunismo verdade

Nada é tão previsível quanto o colunismo social paraense e suas "moranguinhos", "debuts" e "enlaces". Se eu tivesse que trabalhar escrevendo aqueles textos, ia ter que chegar à redação todos os dias bêbada.
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A questão é que é muito, muito chato aguentar uma página inteira com gente sorrindo de orelha a orelha e dizendo o quanto é bem casado e bem sucedido (mesmo que nem seja). Minha humilde sugestão é encher as colunas sociais de um realismo tocante. Confira a partir de amanhã algumas contribuições desta humilde blogueira para salvar da mesmice a tradicional ferramenta da nossa elite brega. .

19 de fevereiro de 2010


Daqui pra frente, pode me chamar assim

18 de fevereiro de 2010

Parece que todos nós aprendemos, ao crescer, a nunca mais falar sobre determinados assuntos. Morte é um deles.

Não que eu ache o tema simples ou agradável, mas não entendo porque trocar de assunto, fechar a cara e usar tantos eufemismos quando se trata de morte. Basta eu falar na possibilidade remota do óbito e lá vem a frase “Não fala besteira, menina”.

Tem ainda quem a chame "carinhosamente" de “qualquer coisa”.
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A sua bisavó tá mal, lá vem a frase “Qualquer coisa me liga”. O seu tio tá nas últimas, “Qualquer coisa estamos por aqui”. O cachorro tá revirando os olhos e babando verde, “Qualquer coisa a gente enterra no quintal”.

Longe de ser "qualquer coisa", a morte é fato, é fim (ou começo?) e tem que ser encarada como tal. Não somos adultos pra tanta coisa, por que não pra conversar sobre o inevitável e inadiável?

Nessa fuga eterna do falar, pensar e refletir só ficamos mais próximos do sofrimento.

31 de dezembro de 2009

Como toda redatora que se preze, passei o ano buscando as melhores ideias, as melhores palavras e, acima de tudo, conjugando muitos verbos diferentes.
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Eu comecei em um novo emprego.
Eu acabei uma especialização.
E também acabei com velhas dívidas.
Eu ganhei um salário maior.
Depois ganhei um salário menor.
Eu perdi a barriga.
Eu viajei pra Fortaleza.
Eu terminei de pagar o carro.
Eu comprei um som bacana pra ele.
Eu fiz freelas interessantes.
Eu conheci gente.
Eu entrei em projetos.
Eu saí de projetos.
Eu ajudei cachorrinhos.
Eu sofri com o sofrimento da minha avó.
Eu amei.
Eu namorei.
Eu comecei a pensar em um negócio.
Eu comecei um negócio.
Eu economizei.
Eu me estressei.
Eu briguei.
Eu magoei.
Eu encontrei pessoas que não via há tempos.
Eu recebi 4 propostas de emprego.
Eu assisti filmes bons.
Eu li novos livros.
Eu tentei.
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E que em 2010 muita coisa se resolva e eu contiue assim, conjugando muitos e muitos verbos. Porque eles representam movimento, atitude, emoção. E sem isso a vida é só algum filme monótono do Woody Allen. .

9 de dezembro de 2009

Segunda-feira, dia 7 de dezembro, foi um grande dia. Um grande dia pra minha mãe, que foi toda linda e brilhante comemorar os 35 anos de formada em medicina.
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A verdade é que eu nem queria tanto ir. Seja porque eu não conhecia ninguém ou porque provavelmente ia ser a mais nova da festa.


Além disso, a última dessas festinhas que eu tinha ido já fazia 10 anos. Na época, os filhos dos alunos daquela turma de 1969 ainda eram todos jovens como eu, que tinha 20 anos. Lembro que foi constrangedor ficar na “mesa dos jovens” e que quase mato a mamãe por ter me jogado lá.


Mesmo com essas lembranças ruins, não sei porque cargas d'água resolvi me empolgar para ir. Comprei vestido e sapato novo e também fui toda linda. Fiquei caladinha a maioria do tempo, tentando adivinhar como aqueles senhores e senhoras eram na época da faculdade.


De vez em quando a mamãe chegava e dizia baixinho “aquele ali sobrevivia vendendo apostilas”, “aquele fingiu que era adventista pra morar em um albergue que só aceitava gente dessa religião”. Eram muitas e muitas histórias naquele salão e por um momento eu achei poética essa coisa toda de envelhecer e ter o que contar, o que lembrar.


O cerimonial teve sorteio de presentes generosos, teve o listão dos aprovados lido ao som de “alô papai, alô mamãe”, teve um médico chato falando que lançou um livro chato. Sem dúvida a melhor parte foi a música.


A banda teve o cuidado de tocar músicas da época deles. Bee gees, Beatles, Roberto Carlos, Frenéticas, Abba. E sob os spots intermitentes que vinham do palco, assisti pela primeira vez a minha mãe - sempre tão séria e workaholic - dançando como se tivesse 17.


Estavam no meio do salão ela e a grande amiga da época da faculdade que, não por coincidência tem o meu nome. Logo se juntaram mais e mais pessoas e eu também, mesmo que deslocada, resolvi entrar naquela rodinha de gente dançando de qualquer jeito. Até porque era como a própria música dizia “dance bem, dance mal, dance sem parar...”


Não sei quanto tempo a gente ficou ali, mas entre uma música e outra, para minha sorte, apareceu um fotógrafo que registrou o momento mágico.

19 de novembro de 2009

Não é que eu esteja postando pouco. Só estou tentando fazer o meu post de natal do ano passado ficar na mesma página do meu post de natal desse ano. Meu TOC isso. =)

13 de novembro de 2009


Muita gente por aí diz que não gosta de baratas. Eu prefiro dizer que são elas que não gostam de mim.
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Quando eu morava numa casa de dois andares cercada de mato, até entendia os ataques no banheiro ou ao meu quarto na calada da noite. Mas quando eu continuei a me deparar com aquela presença cascuda e cheia de patas mesmo morando no décimo primeiro andar de um edifício recém-construído, tive certeza: é cisma.

Vez ou outra uma aparece no banheiro ou me surpreende num rasante da cortina até o tapete. A última vez foi invasão ao closet com direito a emboscada no corredor. E acredito piamente que, neste, exato momento deve estar acontecendo em algum desses esgotos da vida uma reunião extraordiária para decidir a próxima visitinha.
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Preciso urgente de uma outra casa.